Assédio moral no trabalho: como identificar e o que fazer — Figueiredo & Vissoni
Direito Trabalhista Maio 2026 · 8 min de leitura

Assédio moral no trabalho: como identificar e o que fazer

O assédio moral é uma das formas mais silenciosas de violação de direitos no ambiente de trabalho. Muitas vítimas sofrem por anos sem saber que têm direito à reparação. Aprenda a identificar, documentar e agir.

Dra. Daniela Vissoni
Dra. Daniela de Souza Vissoni
Advogada Trabalhista · OAB/RS 58.428

O que é assédio moral?

Assédio moral é toda conduta abusiva — gestos, palavras, comportamentos, atitudes — praticada de forma repetitiva e prolongada, que visa humilhar, constranger, desestabilizar ou isolar um trabalhador no ambiente de trabalho, causando dano à sua dignidade e integridade psíquica.

A repetição e a intencionalidade são elementos centrais. Um episódio isolado de grosseria não configura assédio moral, embora possa configurar dano moral simples.

Como identificar o assédio moral?

Condutas que configuram assédio moral

  • Humilhações públicas reiteradas (gritos, xingamentos, ridicularizações)
  • Atribuição de tarefas degradantes ou incompatíveis com a função
  • Isolamento do trabalhador (exclusão de reuniões, comunicados, confraternizações)
  • Vigilância excessiva e desproporcionada
  • Sobrecarga deliberada de trabalho para forçar erros
  • Retirada de responsabilidades sem justificativa (esvaziamento de função)
  • Ameaças veladas ou explícitas de demissão
  • Espalhamento de boatos ou informações falsas sobre o trabalhador
  • Pressão para pedir demissão

Assédio moral × exigências normais do trabalho

Nem toda pressão no trabalho é assédio moral. A cobrança por metas, feedbacks negativos sobre desempenho e mudanças de função, quando feitos com respeito, são práticas de gestão comuns. O assédio se distingue pela intencionalidade de causar dano, pela repetição e pelo abuso de poder.

O que fazer se você está sofrendo assédio moral?

  1. Documente tudo. Salve e-mails, mensagens de WhatsApp, prints de conversas. Anote datas, horários, testemunhas e a descrição do que ocorreu.
  2. Preserve testemunhas. Colegas que presenciaram as situações podem ser fundamentais em uma ação judicial.
  3. Busque atendimento médico ou psicológico. O laudo médico documentando os efeitos psicológicos é uma prova importante.
  4. Não peça demissão. Se forçado a sair, tente caracterizar a rescisão como rescisão indireta (justa causa do empregador), que garante todos os direitos da demissão sem justa causa.
  5. Consulte um advogado trabalhista. Quanto antes, melhor — para avaliar o caso e as provas disponíveis.
"Muitas vítimas de assédio moral acreditam que estão exagerando ou que não têm provas suficientes. Em geral, têm mais do que imaginam — só precisam de orientação para organizar o que já possuem." — Dra. Daniela Vissoni

Quais indenizações posso buscar?

Em uma ação trabalhista por assédio moral, é possível requerer:

  • Dano moral — pelos constrangimentos sofridos (valor definido pelo juiz)
  • Dano material — lucros cessantes, despesas com tratamento psicológico/médico
  • Rescisão indireta — com todos os direitos da demissão sem justa causa + multa de 40% do FGTS

Conclusão

O assédio moral é uma violação grave dos direitos do trabalhador — e a lei garante proteção. Se você se identifica com qualquer situação descrita neste artigo, não espere a situação piorar. Documente, preserve e busque orientação jurídica o quanto antes.

Ninguém merece sofrer em silêncio.

O primeiro atendimento é gratuito e sigiloso. Avaliamos seu caso e seus direitos sem compromisso.